Cuidado!
1988Um dia eu vou ser rico
Um dia eu vou me dar bem
Nas tetas da mãe pátria vai mamar feito um neném
Na zona do perigo
Algum dia eu sou alguém
Surfista Leopoldina vindo lá da Funabem
A voz da consciência inevitável da razão
Palavras não são, gestos somem na imensidão
Vergonhas tão discretas disfarçando a emoção
Propostas tão concretas abstratas de tesão
Porque sou bem pretinho
Pensam que sou marginal
No fundo bem no fundo é a vergonha nacional
Vivi muita inocência
Fui metido a bam-bam-bam
Católico apostólico soterrado no divã
Preto vota "em branco"
Contestando a razão
A gente é branco e preto
Preto e branco... É tudo irmão
No nosso abecedário não existe abolição
O branco é sempre preto
O preto é branco
É tudo igual
- Aí, Don Ivo, cumé que tá?
- Parado aqui, malvisto ali, barrado lá...
- Aí meu irmão, sai dessa nóia
Levanta poeira, nós somos Mangueira
Nós somos vitória!!
É tratando tragédia
Como se fosse um carnaval!!
Isso é Brasil!
Ele é esperto e persistente
Acha que nasceu pra ser respeitado
Ele é incerto e reticente
Acha que nasceu pra ser venerado
O palácio é o refúgio mais que perfeito
Para os seus desejos mais que secretos
Lá ele se imagina o eleito
Sem nenhuma eleição por perto
Ele é o esperto, ele é o perfeito
Ele é o que dá certo, ele se acha o eleito
Seus ternos são bem cortados
Seus versos são mal escritos
Seus gestos são mal estudados
A sua pose é militarista
Ele se acha o intocável
Senhor de todas as cadeiras
Derruba tudo pra ficar estável
Ele não está aí para brincadeira
E o tempo passa quase parado
E eu aqui sem a menor paciência
Contando as horas como se fossem trocados
Como se fossem contas de uma penitência
E tudo parece estar errado
Mas nesse caso o erro deu certo
Foi o que ele disse a o pé do rádio
Com a honestidade pelo avesso
Na vida hoje
É tudo pose
Todo mundo se imagina estampado em outdoor
É tudo pose, é tudo pose, é tudo pose
Preocupados com olhares ao redor
Pra entrar no carro
Pra sair na rua
Tudo, tudo vira pose, é bem pior que na TV
Pra tirar um sarro
Cada um na sua
Inventando pose até pra morrer
É tudo pose, é tudo pose, é tudo pose
A vida, vida sempre foi assim
É tudo pose, é tudo pose, é tudo pose
Sai dessa podre ou vê se sai de mim
Pose pra quê?
Pose pra quem?
Com essa pose você não vai ser ninguém
Seja você
Sai do normal
No fim de tudo a vida vira um carnaval
É tudo pose, é tudo pose, é tudo pose
A vida sempre, sempre foi assim
É tudo pose, é tudo pose, é tudo pose
Sai dessa podre ou vê se sai de mim
Um beijo a mais
Um beijo a menos
Não tem segredo, você me enganou
Eu sinto que eu
Estou me perdendo
Me entregando ao seu amor
Sozinha no espelho
Eu te vejo
Eu te desejo
Pensando em você
Sozinha no espelho
Eu te beijo
eu te desejo
Pensando em você
Tara tara
Meu coração dispara
Por você
Um dia a mais
Um dia a menos
Não tem mais jeito
Você me ganhou
Por isso estou me perdendo
Me entregando ao seu amor
Tara tara
meu coração dispara
Por você
Um beijo a mais
um beijo a menos
Não tem mais jeito
Você me ganhou
Um dia a mais
Um dia a menos
Me entregando ao seu amor
Oh! Ironia
Era um poeta que um dia
Assobiou ao acaso
E por surpresa, quem diria
Era eu sua montanha desmoronada
Sua vitoriosa derrocada
Sua honestidade tardia
Me desmorono, pela vontade, pela potência
E me transformo numa esfinge de estilhaços
Dando graças a algum deus muito distante
Ou o representante de todas as mortes no céu
Um céu, há muito tempo, morto de estrelas
Morto, morto, morto
E quem sabe?! Pela força da sua traição
Pelo sangue jorrando de uma só veia
De uma transbordada paixão!
A medida sendo a falta, seja lá qual for a falta
Falha, amor, infâmia, elegância
Eu amo duelar com todas as partes da existência
Vida, morte, vitória, fracasso, vazio
Um derradeiro sopro de audácia
Dessa indecifrável coragem
Reerguendo com a astúcia de um gesto lento
Uma inevitável eternidade
E depois, a luz se apagou
E eu não consigo mais ficar sozinho aqui
Sem você é tão ruim
Não tem sentido, prazer, não há nada
Por favor, não me interpreta mal
Eu não queria, nem devia te magoar
O tempo vem, o tempo vai
Passa por mim meio assim, meio assim devagar
Vou dormir sentindo
O que a solidão pode fazer
Há um ser ferido
Por saber que o erro era meu
Vou dormir sentindo
O que a solidão pode fazer
Há um ser ferido
Por saber que o erro era meu, só meu
Já passou, agora já passou
Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar
Ver você, ter você
E querer mais de nós dois, não tem nada demais
E pensar, você aparecer
Pela janela tão bonita de manhã
Vem pra mim e não vai mais
Me abraça, me abraça, me abraça por tudo que for
Não tem mais condição nem sim nem não é guerra
A minha posição é uma só, num ferra
O nosso habitat é um só, a Terra
Eu tenho os pés no chão e você na estratosfera
Estou na minha e tenho os meus compromissos
E eu sou Mangueira e quem tem a ver com isso?
Tô sem vintém mas não devo nada a ninguém
Não devo nada e quero ver quem vai peitar, ah ah ah!
Quem vai? Ah! Ah!
Existe sim a sídrome de brega
Essa chantagem emocional que você prega
Você só dá valor e amor ao que te cega
A tua moda roda, roda, mas não pega
Existe sim a síndrome de brega
Não tem mais condição nem sim nem não, num ferra
A minha posiçào é uma só, é guerra
A tua moda roda, roda, mas não pega
The people scrumbling
In the dead of the day
The hungry night
Eats the rest of the gray
The silence blowing
The blues away
Everywhere everybody
Is clamouring for some
But no money, no change,no chance
The odour of bodies
Are screaming out
The horror of bars
Are screaming out
The hologram
Of the people's mounth are saying the same old sentence
No money, no change, no chance
And in the secret garden
A secret dream
Of a secret lady
Who becomes a queen
She hears the sound of a fountain
That swallows a montain
And turns into a yard
And boys and girls in beggar's fashion
Have a big question
Do you need what we need?
And the queen says
No money, no change, no chance
And when the future passes
We'll be the rest
With the happiness
Of a double dose
We'll cry for nothing
We'll find out those
Who are really no things
And once showed us
That there's no money, no change, no chance
Com seus olhos maquiados de pavor
Aterrorizado com seu próprio terror
Deus tenta rezar, tenta rezar
pra quem?
É muita mira pra pouca bala
No escuro, Deus não vê ninguém
Oh! Pobre!
Não sabe mais o que fazer...
Oh! Pobre deus!
Não sabe mais se proteger...
Dúvidas atrozes vêm lhe afligir
Com tanta onipotência para dividir
Essa realidade que é tão cruel
Invade a Deus menino a
ferro e fogo
E agora vive num inferno
no céu
Oh! Pobre!
Não sabe mais se o que fazer...
Não sabe mais, não sabe mais
Quantas noites eu ainda choro
Não sabe mais nem envelhecer
Frágil, vulnerável, tão sozinho
Deus caído...
Oh! Menino Deus!
Não chora Deus...
Isso é apenas nosso mundo
cão
Não chora Deus...
Lágrimas não curam falta de razão,
não, não
Não chora Deus...
Isso é apenas nosso mundo
cão...
Não chora Deus...
Lágrimas não curam falta de razão,
não, não
Não sabe mais, não sabe mais
Quantas noites eu ainda choro
Não mais nem envelhecer
Frágil, vulnerável, tão sozinho
Deus caído...
Oh! Menino Deus
Oh! Menino Deus
Oh! Menino Deus