Nostalgia da Modernidade

1995
A Queda

Quantos sonhos em sonhos acordo aterrado
A terrores noturnos minha alma se leva
É um insight soturno é o futuro passando

Na velocidade terrível da queda
Na velocidade terrível da queda

Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge

A velocidade terrível da queda
A velocidade terrível da queda

Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna
Ah! as bombas, a chuva, os anjos e seus loucos

O mundo todo na velocidade terrível da queda
O mundo todo na velocidade terrível da queda

Resvalando em abismos um pôr do sol furioso
Que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso

Ejaculado da velocidade terrível da queda
Ejaculado da velocidade terrível da queda

Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico

Para não perceber a velocidade terrível da queda
Para não perceber a velocidade terrível da queda


O Jogo Não Valeu

Pra começar quero dizer
Que ainda sou o mesmo
E nem você mudou
O nosso fim
Foi um pretexto
Pra recomeçar o que não terminou
Não foi você
E nem fui eu
A vida pelo avesso
O jogo não valeu
Os dois pagaram o mesmo preço
E o jogo não valeu
Tá bem melhor, melhor, melhor, agora...


A Flor do Vazio

Vi o seu olhar
Ao nascer o fim
Na primavera eu vi brotar, nascer o fim...
Brotar... Nascer o fim...
Brotar...
Vi morrer a luz
Vi morrer o sol
E no vazio descobri a tua flor
A luz... a tua flor...
A luz...
na escuridão
De algum lugar
Nem as mudanças da estação
Irão mudar a emoção
Finda mais um dia e tudo vai recomeçar
É quase primavera
É quase primavera...


Samsara Blues

Absurdo
É tudo que não se entende
Do mundo
Na vida
A gente ama ouvir verdades
Postiças
E adormecer
Ao som da música que toca
No rádio
Pra não saber
O que fazer e sempre ter desculpas
Fé cega é remorso na contramão
Tão mística
E tão saudável juventude
Rebelde
Do que passou
Só restam clones de atitude
Em jingles
Na televisão
A vida passa em pesadelos
Tão ternos
É tão normal
Captar o útero materno
Na antena
Fé cega é remorso na contramão
Que sina!
A burguesia a gozar
Com o dos outros
A coadjuvar tão orgulhosa dessa imensa
Façanha
E destacar
De qualquer de seus vestígios nativos
Com o primor de seu inglês já sem sotaque
Chicano...
Fé cega é remorso na contramão


Mal de Amor

Muitos pensam que o remédio é se iludir
Outros temem não poder suportar
Tantos dormem sem sonhar pra não pressentir
Que ninguém de mal de amor pode se livrar
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Não adianta agora não querer rimar
Morar na filosofia é por demais sutil
Amor e dor na vida sempre andam em par
Até na mais inocente fantasia infanto-juvenil
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Não me venha primando com seu bem-estar
Nem tampouco essa sua tola compaixão
Certas coisas na vida não dá pra simplificar
Mal de amor é mal de amor é mal de coração
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Quantos não tentaram fugir da solidão
Procurando escapatória aonde não se tem
Implorando abrigo a qualquer proteção
No inútil disfarçar o mal em bem
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal
Mal, mal, mal de amor... mal, mal, mal, mal


Luz da Madrugada

A luz que vem surgir na madrugadaInvade o céu a iluminar a estradaEssa luz a chegar, não é o sol, não é o luarÉ a beleza da luz do seu olharSe acaso decidir e ir emboraEu peço, por favor, não demoraVocê longe de mim, vivi a chorarDe saudades pensando em seu olharAh! Vou tentar, mesmo assim, esquecer...O quanto a sua falta me fazÉ algo tão difícil que não dá pra descreverPenso nos momentos de felicidadeNós dois, só nós dois e mais ninguémNós dois, só nós dois e mais ninguémAh! Vou rezar pra você desistirNão vá embora nãoPorque você é minha luz do solEspera clarear até amanhãQue eu vou com vocêEspera até amanhã pra clarear porque depoisEu vou com você


Coração Aberto

Só um coração aberto pode ser feliz
Só um coração aberto pode ser feliz
Do jeito que tá não dá mais pra ficar
Devagar também é pressa

E tu tá louco pra largar
Vai devagar, sapateia miudinho
Tudo é mais gostoso
Quando é feito com carinho

Só um coração aberto pode ser feliz
Só um coração aberto pode ser feliz
A gente que sofre
Tem que dar valor

O pouco é sempre muito
Quando é feito com amor
Ingratidão sucumbe ao prazer
O amargo da derrota

Te ensina a crescer
Só um coração aberto pode ser feliz
Só um coração aberto pode ser
Feliz


Dilema

Estou assim
Não sei por quê
Mas me senti no fim
E um vazio que bateu em mim
Talvez seja por ninguém
Ah, você...
Ninguém é o nome que eu dei pra você
Talvez um dia ainda possa ter
Coragem mesmo pra esquecer
Peço a Deus
Que o amanhã não traga o hoje
Com esse dilema
Grande Deus
O meu silêncio é teu sinal


O Diabo é Deus de Folga

Em todo milagre existe
Uma falta de percepção
Alguma coisa acontece
Que não dá pra explicar
Como aquilo foi acontecer
Todo milagre é esquisito
Por alguma falta de imaginação
Só porque a gente se espanta
Com a realidade
Se amarrando em qualquer ficção
O diabo é Deus de folga
O diabo é Deus
O diabo é Deus dando volta
No imaginário
De toda civilização


Eu Não Embarco Nessa Onda

Eu não
Embarco nessa onda
Eu já falei
Que não quero ir nessa onda
Não insiste!
Não quero ir nessa onda
Mas quantas vezes eu já disse que não quero
Eu já falei
Que nessa onda
Eu não embarco não
Vai que é uma roubada
Isso é uma roubada!
Não embarco nessa onda


A Hora Da Estrela

Assim tão perto
Sinto saudade
Daquele tempo
Brilhava a estrela
Iluminando no horizonte o pensamento

Assim tão longe
Na eternidade desse momento
Brilhava o seu olhar
Mais que o luar
Na busca de um pensamento

Viver na espera
Daquela hora, daquela estrela
Bem claro, já é manhã
No amanhã eu vou te ver
Minha estrela (bis).


Sem Sono

Em qualquer tomEm qualquer outro lugarEm que eu possa cantarUma canção de dormirA chuva caiTào devagar na manhàQue as coisas de ontem serãoAs coisas da noite a seguirE a hora é a mesmaA mesma e sempre absurdaQue sendo pressa ou vagarA hora é o mesmo lugarEstando aquiA relembrar o porvirNão ouço a chuva cairNem o vento frio a soprarSão tantos sonsPela manhã a lembrarComo a noite ainda estáTão acordada em mimCom um assovio a entoarUma canção de dormir


Dé Dé Dé Dé Déu

Meteu um toca-fitas
Descolou um papel
Se benze às seis
E quer ir pro céu
Malandro Laranjeiras no cabelo gel
Não se acha otário, crê em Papai Noel
Não vai ao cinema, tem fama de mau
Dentro de um shopping ele é o tal
De carro ele manja, pega onda legal
Tem uma banda cover de heavy metal
Dé dé dé dé déu
É um marombeiro e machucou a mào
É leão de chácara do quarteirão
Vai pra Zona Norte vira um "sangue bão"
De carro importado e celular na mào
é chefe de torcida e só quer bater
Mas só toma Danoninho ao entardecer
Cigarro? Só light (não, baixos teores!)
Se veste impecável para os seus amores
Dé dé dé dé déu
Nos bailes funk, é o M.C.
Surfista de trem em Japeri


Nostalgia da Modernidade

Aurora...
Ninguém mais chora por mim
Mas chorar por mim é coisa do futuro
Eu juro, que ao orvalho cair
Vou lembrar daquele meu presentimento de outrora
E agora, nosso momento...
O meu tamborim silenciou
Uma lágrima triste se petrificou
Dentro do peito de alguém que jamais chorou
Uma lágrima triste se petrificou
Dentro do peito de alguém que jamais chorou
Nem lembrança nem saudade
Nostalgia da modernidade
O enredo atravessou
Mas o samba nào calou
Semeando a liberdade
Aurora...


Nostalgia da Modernidade

Nostalgia da Modernidade

1995
Comprar
Ouça em: