Sob o Sol de Parador

1989
Panamericana (Sob o Sol de Parador)

Quem são os ditadores
Do Partido Colorado?
O que é a democracia ao sul
Do Equador?
Quem são os militares ao sul
Da Cordilheira?
Quem são os salvadores do povo
De El Salvador?
Em Parador

Quem são os assassinos dos
Índios brasileiros?
Quem são os estrangeiros
Que financiam o terror?
Em Parador

Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Ao Sol de Parador

Quem são os índios incas
Que plantam cocaína?
Quem são os traficantes
Com armas e gasolina?
Quem são os Montoneros?
Quem são los Tupac Amarus?
Las madres y abuelitas
Na praça de maio
Em Parador

Quem são os contra-revolucionários
De Sandino?
O que é a presidência no
Canal do Panamá?
Em Parador

Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Ao Sol de Parador

Quem são os guerrilheiros de
Farrabundo Martí?
Quem são os fuzileiros
Do M-19?
Quem são os luminosos que
Acendem o Sendero?
Quem são os para-militares
Do alti-plano?
Em Parador

Quem são os vudanizados que
Querem ton ton macutes?
Quem são os encarnados que
Inspiram as falanges?
Em Parador

Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Hay que endurecer
Sin perder la ternura
Ao Sol de Parador


Quem Quer Votar (O Sofisma)

A política faliu
Não dá pra acreditar
Até o que é civil
Parece militar
Voto de cabresto
Voto de operário
Voto de indeciso
Voto milionário
Voto de fantasma
Voto que atrapalha
Voto de palpite
Voto de canalha
Quem quer votar
Quem vai votar
Quem vai ao comício
Quem vai ao trabalho
Quem ganha jeton
Quem ganha salário
Quem tem sindicato
Quem vai legislar
Quem é bóia-fria
Quem é marajá
Quem quer votar
Quem vai votar
Quem é o presidente
Quem é o delegado
Diga qual dos dois é mais abandonado
Quem que vai dar certo
Quem vai dar errado
Que país é esse rico e esfomeado
Quem quer votar
Quem vai votar.


Essa Noite, Não (Marcha a Ré em Paquetá)

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite, não

As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite, não

Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino

A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite, não.


Um Bobo prá Cristo

Queriam um cara pra cristo
Pra ser herói nacional
Pra ser o bobo dessa festa
É tudo que nos resta no país do carnaval
Máscaras não movem destinos
A fantasia não tá legal
A poesia, um tiro na testa
É tudo que nos resta no país do carnaval
E não me chamem de covarde
Não me chamem de herói
Eu sei que a velha chama arde
Queima, queima até tarde
Queima, queima, dói
Perguntas morrem sem respostas
Vivendo o velho ritual
Vivendo aparando arestas
É tudo que nos resta no país do carnaval.


E o Vento Te Levou

Remoendo vícios
Dei de cara com você
Lembrança de hospício
De loucura e de prazer
Jogo da memória
Tua imagem se formou
Veio o vento e te levou!
Saudade de cisne
Um romance tão barato
Um de nós comia
E o outro cuspia no prato
Sem ressentimento, em silêncio digo adeus
Meu destino te esqueceu!
Sangra e sai de mim, não quero teu amor
Solidão não tem depois!
A mágoa já sumiu, tudo se acabou
Veio o vento e te levou!
Lembro a tua cara quando a gente terminou
Narciso ferido, teu espelho se quebrou
Cínica vanguarda, teu amor de marcha-a-ré
Disse adeus e deu no pé
Coração de bruxa. uma pele de maçã
Sexo de luxo, possuído por satã
Louca de desejo, você me fascinou
No inferno eu fiz amor.


Azul e Amarelo

Anjo bom, anjo mau
Anjos existem
E são meus inimigos
E são amigos meus
E as fadas
Fadas também existem
São minhas namoradas
Me beijam pela manhã
Anjos existem e são minha escolta
Anjos, gnomos, amigos e amigos
Tudo é possível
Outra vida futura, passada
Viagens, viagens
Existem também drogas pra dormir
E ver perigos no meio do mar
O sono pesado
Tudo meio drogado
Existem pessoas turvas, pessoas que gostam
E eu estou de azul e amarelo
E eu estou de azul e amarelo
Senhores deuses me protejam de tanta mágoa
Estou pronto para ir ao teu encontro, senhor
Mas não quero, não vou, eu não quero.


Uma Dose a Mais

Nenhum papel nessa tragédia
A vida é um drama, todo mundo sabe
Mas quem inventou essa comédia
Ria da vida e pedia
Sempre uma dose a mais

Sempre uma dose a mais
Sempre uma dose a mais
Sempre uma dose a mais

Assim como o frio queima
O calor às vezes mente demais
E nossos corpos ardentes teimam
E como teimam
Necessitam de uma dose a mais
Sempre uma dose a mais

A luz no teto
O som da música
Nessa dança tudo se debate
E uma alegria tão confusa
Me invadia de repente
Sempre com uma dose a mais

Sempre uma dose a mais


Lipstick Overdose

Tem faro pra loucura
Tem prazer em dar detalhe
Lânguida sem chinfra
Carismática sem charme
Chave de cadeia
Protegida do chefão
Speed de cigana
Linda e loura no verão
Ooo... Que armadilha
Ooo... Sol e Caviar
Ooo... Lá na ilha
Ooo... Dando o que falar
Seu cosmético cintila
Quando brilha é pó de arroz
Se fuma, muda o clima
O amor fica pra depois
Bico de sapato
De uma corte soft gay
Adora sheiks árabes
E cheques em francês
Já pensou em ser modelo
Atriz de filme pornô
Dona de uma griffe
De perfume e maiôs
Seu corpo sempre em cima
Tem o clima do frisson
Dá beijos com saliva
Esbanjando seu batom
Seu sotaque, salto alto
Irradia combustão
Ela pensa que tem charme
E provoca congestão
Todo dia é chique, chique
Exalando Azarro
Toda noite é Fuk-Fuk
Nos subúrbios do terror.


Sexy Sua

Meu Deus, agora você ficou
Como um rio que de repente transbordou
Eu sei que é duro admitir
Que você está mais sexy que a Brigitte Bardot
Mas sussurrando na sua orelha
É outra coisa então, por que não?
Sexy, sexy, sexy sua
Sexy, sexy nos ouvidos
Na rua, debaixo de uma árvore
Te beijo, beijo, beijo, beijo
Eu sei se me largares
Posso até me suicidar até o sol raiar
No passo de um poeta, atrás da estrela
Que passou no beco de esplendor
Mas se tenho você
Posso até dizer adios bruxos, adios bruxos
Sexy, sexy, sexy sua
Sexy, sexy nos ouvidos
Cor de rock, cachoeira, praia, pôr-de-sol
Irmandade sem influência dolorosa
Mas a chance é que estejamos presos, numa grande música
Mesmo que o show terminar, lhe digo
Sexy, sexy, sexy sua
Sexy, sexy nos ouvidos.


Toda Nossa Vontade

Eu vou embora
É chegada a hora
Não, não chora, não, não chora
Nem me faz chorar
Q que é tristeza?
Q que é saudade?
Me responde com justiça
E não com lágrimas
E se lembrar de mim
Faça com o mesmo ardor
De uma canção feliz
De uma canção de amor
Um vento frio assobia, me arrepia
E me faz lembrar da hora em que nasci
E a calmaria rígida vislumbra
A morte que eu nunca vi
E se lembrar de mim
Faça com o mesmo ardor
De uma canção feliz
De uma canção de amor
Tempos de guerra
Tempos de espera
Lutas e revoluções
Que nessa terra dure e perdure
Todo a nossa vontade
E se lembrar de mim
Faça com o mesmo ardor
De uma canção feliz
De uma canção de amor


Sob o Sol de Parador

Sob o Sol de Parador

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